quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Zeppelin

olho o céu em busca do zeppelin, azul no azul, o fogo no ar tento apagar... que nunca se queime o zeppelin, meu pássaro quase vazio, sem engrenagens, sem pressa, sem passagens. não se esqueça do zeppelin e não se esqueça de mim, que também sou zeppelin. no azul, sou azul, no ar, sou leve e queimo, respiro. onde há lugar para o zeppelin? onde há lugar pra mim? cantos esquecidos, por quase ninguém ouvidos, esse canto onde o zeppelin se aboletou em mim.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Poesia viva

você sabe onde está a poesia? ontem, ao deitar, já passando da uma da manhã, o coração quebra o ritmo e dá três batidas rápidas e muito intensas. então, a gente que gosta de poesia pensa "batem na porta do meu coração" e ri cheia de alegria pra todo mundo ouvir.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Pedrina

o amor lhe veio como erva daninha. cresceu nas frestas dos escombros que ela carregava no peito. ali, brotou e foi crescendo, lutando contra ventos, temporais e noites banhadas de insônia, grudando no pó da esperança que as pedras produziam quando rolavam umas sobre as outras.

sábado, 12 de setembro de 2015

Porto alegre

o trem desliza na pele do porto alegre, calmo, sem pressa de chegar. mas onde está a alegria? são paulo parece uma selva de pedra, porto alegre, um jardim florido... narcisos debruçados nas águas... tudo golfado de umidade, sombras frias pintando arestas verdes, como se as plantas, vegetais, arquitetônicas, espantassem a monotonia do frio, como se o sol fosse um visitante distante, ignorante dos cantos, das calçadas, dos quintais. e quando o campanário soa em porto alegre, tudo parece dormir, menos os passarinhos.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Bloody Mary

in a dark and wet night,
mary went to dance tight
in a big pin up and rock's party.

tones broken as glass crash.
heart astonishing flash.
the night was going to be a great joy.

but, given to fly loose,
mary left the ground mood
and fled to the skies to meet the stars.

burning high near the moon,
that cold and rocky night noon,
drank mary's blood in a moody flood.