na rua, a mulher, rodeada de silêncios, empilha seus pertences: trapos, caixas, dores... a calçada larga, a cara flácida, ajeitando a existência no frio de papelão, na força da mão que ajuda a outra. ela se esconde no desvio do olhar, nos obstáculos de seu corpo subindo paredes, fronteira imaginária, a face oculta da lua: mulher, preta, pobre, à margem, mas ainda atiçando a chama final da dignidade.
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