sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O poema do sonho

o poema, no sonho, se perdeu. a mão criava fractais, retalhos de poemas e papéis rejeitados. o poema acabado não se achava, perdido nos bolsos, nas dobras de ser. angústia. alvoroço. em que canto foi escrito? sonho de coisas perdidas. procurar é criar cantos, máquinas, onde travestir em achado o perdido. se ela soubesse o quanto visita estes sonhos... figura branca espectral, lânguida, etérea, sonora... mas ali, as mãos se uniam e se soltavam, dúbias, no caminho escuro. por fim, soltaram-se e ela escureceu. virou multidão. quem sabe, não levou o poema? ela não imagina que visita estes sonhos. talvez nem volte mais. sonhos são lugares de entrada e saída anunciada. ela chegou a desoras. sentou. passou um tempo. agora andou. partia? só os idos dirão se não mais voltará. tem gente que veio, deixou os cantos dos sonhos puídos, foi partindo e nunca mais voltou. teceu distâncias... o sonho era o final de expediente de rotinas perdidas e, antes dos últimos partirem, ele acabou no amargo da busca antes de romper o último fio de esperança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário